"Não sou este corpo que possui um espírito, mas sou o Espírito que fala por este corpo."

sábado, 27 de dezembro de 2008

O Ataque das Perguntas

O Ataque das Perguntas
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Ainda me pergunto como terá sido a sua chegada por lá, e como tem sido a sua estadia neste oculto lugar. O enigmático tempo nos tempera ao seu bel prazer, fazendo-nos relembrar daquilo que covardemente buscamos esquecer. As cenas mais marcantes batalham entre si, as dos dias finais, que revelaram profunda e registrável lembrança em tão pouco tempo, e as cenas de toda uma vida, que traduziram toda juvenilidade de um inesquecível personagem numa curta história. As imagens brigam, se congelam, as cenas conflitam-se na disputa de quem marca mais, a foto da dor ou a memória da risada, ambas embaladas pelo frio (ou quente) sopro da saudade. No duelo entre as palmas do sepultamento que ainda são ouvidas e as suas gargalhadas desenfreadas que ainda são sentidas, uma lágrima vez ou outra rola, às vezes dói, às vezes não dói, as indagações serão sempre presentes, mormente enquanto ainda estivermos por aqui, mas perguntas sem fundamento não ajudam nada no enfrentamento da caraça de uma realidade.
Pessoas continuam constrangidas ao tocar no nome dele, sentem-se receosas, prudentes, buscam todo cuidado ao marcar qualquer fato que envolva a recordação. Natural, pede realmente muita cautela esse assunto ainda não trabalhado em nossas almas materializadas e não educadas para conviver com a morte. Cada um lida (ou tenta lidar) com a situação na sua forma particular, tenho certeza que muitos ainda choram ao monte em seus travesseiros, outros o evocam, chamam-no pelo pensamento, sem falar nos que ainda o atribuem a característica de Santo, não duvido que já tenham feito alguma "promessa" para ele. Quem sabe ele até ria disso tudo de onde está, na minha humilde concepção, imagino que sofra ainda pela saudade.
Li um artigo onde um cientista completamente ateu (como a maioria dos cientistas) defendia o seu "ateísmo" dizendo que qualquer assunto que trate de espiritualidade e de sobrenatural não passa de fantasia criada pelo homem numa forma de não aceitação da realidade. Para este estudioso a ciência sim explica e prova tudo, e não existem formas de aplicar nada espiritual a um contexto absolutamente científico. Embora eu discorde no mérito do mencionado artigo, não deixo de respeitá-lo, apenas lamento que um estudioso não tenha aceitado conclusões em contrário, feitas por seus colegas, também cientistas e também estudiosos. É claro que os cientistas mais "abertos" ainda são minoria, porém é quase unânime a afirmação de que a ciência caminha em constante evolução (assim como tudo) e que ainda existe muito a ser descoberto. Kardec citou há mais de um século e meio atrás que:
"Todo efeito tem uma causa. Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. O poder da causa inteligente está na razão da grandeza do efeito." Vale dizer que, Kardec além de cientista (aprofundando-se na ciência metapsíquica), teve seu trabalho reconhecido por estudiosos que confirmaram a sua importância no desenvolvimento dos estudos psíquicos no mundo inteiro. Camille Flammarion, um dos maiores astrônomos da história, sempre lhe foi grato pelos estudos que eram correntes na Sociedade de Estudos Espíritas de Paris, e foi ele quem fez o discurso fúnebre de Kardec. Astrônomos e Físicos contemporâneos publicaram estudos demonstrando as inovações e revelações propostas pelas novas idéias no campo da Cosmologia, do Magnetismo, e da Física Quântica, idéias ainda prematuras, mas que já apresentam um tímido e tênue laço entre a ciência e alguns preceitos da religião. Ainsten já dizia na sua "Teoria da Relatividade" que a idéia de tempo e espaço não era absoluta e inteiramente compreendida, como ainda não é absoluta e inteiramente compreendida a idéia de espírito ou qualquer coisa espiritual, na nossa atual abrangência científica. Concordo solidamente que a ciência prova e explica, mas não tudo ainda, e sim quase tudo. E não estaria tão longe assim o dia em que a ciência explicaria também diversos fenômenos, mostrando que o que hoje é taxado de "sobrenatural" não passa de algo puramente natural.
Nunca fui médium, ou seja, nunca fui portador da sensibilidade que me permitisse identificar ou comunicar com algo qualquer extra-físico. O máximo que já percebi foram estas coisas que até os mais insensíveis percebem, como avistar algum vulto ou ter a sensação de alguém ter lhe chamado pelo nome, quando não havia ninguém por perto. Porém, ocorreram vezes em que posso afirmar que sabia que meu irmão estava ali, perto de mim, eu apenas não o via. Os céticos e ateus me dirão: "
Louco. O que sentiu não foi mais que fruto da tua mente e da tua saudade". Não os responderei nada, pois a certeza que me garante escapole a razão, e para mim, muito tolo é o homem que pensa ser a sua razão detentora de todas as coisas do Universo.
Deixando a ciência e a crença de lado, volto a falar da ausência do nosso amigo. É lógico e racional que os questionamentos inúteis não nos ajudarão em nada, tampouco o trarão de volta, mas parece-nos inevitável indagar e tentar buscar algo coerente quando somos alvejados por momentos de nossas vidas que nos trazem a gostosa fragrância da sua saudosa convivência. Alguém que foi apaixonada por ele, irá se sentir tomada pela lista de indagações ao passar por um barzinho convidativo ao encontro de casais, embora ele não fosse dos mais inclinados a discutir relações (rs), ou então, se verá envolvida pelas perguntas ao achar um pedaço de bilhetinho escondido num fundo de armário, um pedaço que era pra ser esquecido, mas que de vez em quando é desesperadamente procurado e que então lhe permite lembrar de quando foi entregue, lhe permite ter consigo aquele instante, aquele sorriso. Os amigos são constantemente flechados pelas indagações quando estão naqueles locais onde ele também estava, nas festas, churrascos e encontros que lhe aprazia estar. Principalmente, quando passa o tempo e estes amigos percebem que a saudade dele não vai passar, percebem que aquela frase que lhe era característica parece não desgastar com os anos e ainda pode ser lembrada com a mesma sonoridade de antes, aí então a pergunta também rebate aos amigos:
Por quê? Aos familiares, cada um na sua memória, no seu registro, têm a cena preferida dele, e eles também são invadidos pelo ataque das perguntas.
A este que vos escreve, a pergunta também o persegue, sobretudo quando caio nos feitiços da lembrança, da criança, do vazio, da lição, do homem, e do irmão. Da forma com que ele (provavelmente sem querer) ensinava-nos, sem preconceitos, sem discriminações, não era perfeito, mas em suas virtudes, ensinava-nos sem percebermos. Como na visita a um Orfanato com ele, não obstante o desagradável abafamento no local, poltronas rasgadas, quebradas e o desconforto do lugar, ele apenas sorria e calava, somente sorria, brincando com as crianças, numa pureza que para um observador mais atento, nos deixaria diante de uma bela e pura lição de caridade.
Eu disse que os questionamentos inúteis não nos ajudarão em nada, porém, não poderá haver questionamentos úteis? Deixando a parte todo o sofrimento (ainda que seja quase impossível deixar a parte), toda dor nos faz crescer, ninguém morre antes da hora, senão vejamos, Deus seria imperfeito e injusto, aos incrédulos perfeitamente normal, pois estes negam o próprio Deus, mas aos restantes não, um Deus injusto é uma verdadeira blasfêmia. Quando perguntamos "Por que?" e não enxergamos resposta, será porque a resposta de fato não exista, ou será porque ainda não temos capacidade de avistá-la? Ao perguntarmos “por que”, não estaríamos embrulhados numa concepção de um Deus que tenha que atender as nossas vontades e aos nossos caprichos, um Deus que tenha que satisfazer aquilo que queremos, simplesmente porque pedimos em oração e com verdadeira fé? Contudo, e se aquilo que estamos requerendo não for o que deva ser feito? Já consideramos esta possibilidade? E se houver um motivo justo para isso tudo, que não pode ser enxergado ainda, se a morte for uma reação, um efeito, de algo que tenha sido causa anterior? Não falo de uma causa material e concreta, mas de uma lei intrínseca e pré-determinada ao destino de cada um de nós.
Estas podem ser perguntas úteis. Ou não. Depende.
Como a maioria de nós ainda não está preparado para o conformismo, então perguntamos, indagamos, isso é ótimo, é isso que faz o mundo girar, os pensadores pensarem, os cientistas descobrirem e os inventores criarem. No entanto, enquanto não enxergamos respostas, a pergunta não cala, ela continua viva. E não serei eu que terei a pretensão de lhes trazer a resposta. A resposta, para os que admitam que ela exista, está dentro de cada um de nós.
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Raphael V. Tavares

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Razões para te Amar

RAZÕES PARA TE AMAR

Eu te amo. Sabe por que digo isso? Não sabe? Eu também não sei explicar isso, como já te falei em outros textos. O amor é um título inesgotável, logicamente. Afinal, como é profundo o amor.
Eu poderia levar pro lado meloso, é bom, mas às vezes (quase sempre) enjoa. Principalmente quando você cria uma capa e não permite envolver-se sobre o sublime tema. Poderia seguir no lado racional, mas só a razão nem de longe explica o amor.
Então prefiro não seguir nenhum gênero, não visto a camisa de nenhum time, nem a melação, nem a razão. Só falo do amor, sem compromisso com um desses dois partidos, tento, sem acreditar que alcance sucesso, manter um inatingível equilíbrio.
O amor é muito estranho, te conheci sem amar você, vivi durante um tempo te vendo, conversando contigo, mas não te amava, se quer amava-te quando comecei a te namorar. Porém, certo tempo passou (não vem ao caso quanto tempo) e hoje afirmo categoricamente que te amo. Como acontece isso? Se souber me explique porque eu também não sei.
Será que se eu não tivesse insistido na vontade de permanecer junto a ti, se não tivesse tido o “
animus” de ti ter comigo, hoje eu te amaria? Será que se você não tivesse me tolerado, não tivesse arriscado, não tivesse até me suportado, hoje eu seria por ti amado?
O amor é um bocado de força de vontade também, não acha? É tanta coisa esse sentimento, muitos o confundem com a paixão, esta última é patológica, enquanto o amor é só salutar. O amor nos vigora, nos anima, nos faz ser tolos e até patéticos, no entanto, feliz é aquele que pode se considerar um “pateta” do amor.
Nesse nosso tempo, nesse nosso amor, não sei traduzir, não sei catalogar, nem explicar, mas sei que é bom te amar. Talvez consiga exemplificar.
O tempo passou (ele passa ainda, eu sei) e nem de longe vejo hoje aquela pessoa que eu imaginava estar em seu lugar, isso me serviu até pra refletir um pouco mais sobre as pessoas e sobre as suas verdadeiras personalidades. Você me fez pensar sobre isso, porque só te conhecendo melhor pude saber quem você realmente é. As pessoas mostram, ou tentam mostrar, algo que nem sempre elas são, isso não é falsidade, isso é uma estratégia, é uma jogada, é uma forma de proteção. Para se proteger, ou para fugir, você se mostrava dura, fria, insensível e intocável pelo amor. Situação totalmente antagônica ao que você verdadeiramente é.
Temos tantos sonhos em comum, isso é um ponto importante para “fortificar” o amor, ter coisas em comum. Temos o nosso trato da planta, lembra? A planta do amor. Ela foi plantada, semeada, brotou, está crescendo ainda, e cabe a nós cultiva-la e cuidar bem dela em nossos corações.
Não quero ser hipócrita, nem usar de qualquer sombra de falsidade, por isso não te digo que morreria sem o teu amor. Porque de fato morrer eu não morreria, peço licença para o meu lado poético agora, estou um pouco mais tendencioso ao racionalismo, somente neste parágrafo. Contudo, embora eu não faleça sem este sentimento que hoje vigora de ti pra mim e de mim para ti, eu seria acometido de profunda tristeza, tristeza por ter tomado consciência da mulher sensacional que você é, e de não poder crescer como espírito e como ser humano, amando-te e vivendo todos os dias da minha vida ao teu lado.
O que construímos até hoje é algo que já não se apaga mais, ser furtado do seu amor a essa altura seria como morrer estando ainda vivo. E olha que eu ainda estou usando o lado racional hein!
Você tem qualidades que são deleitáveis numa mulher, eu disse “deleitáveis”, de afáveis, deliciosas, agradáveis, e não “deletáveis” (rs), é madura, mesmo estando num corpo ainda jovem. Coisa que dizem também sobre mim, não é elegante falar de si, quando na verdade quero falar de você, mas é que também amadureci perante as nuances da vida e, fora os raríssimos que me conhecem melhor, também sou tratado como um garoto por causa da minha pouca idade.
Você é madura e é sensata. Cumpre ressaltar. Porque a sensatez lhe dá uma importante ferramenta para fazer as melhores escolhas, tomar as decisões de vanguarda, de uma mulher moderna, e ainda assim conservar os sonhos tradicionais e belos, de quem um dia pretende administrar uma família.
Sei que no início também não confiou em mim de imediato, um menino novo, menino mesmo, garotinho, chegando assim de repente, e você com sua já “experiência” de vida, não poderia se deixar convencer tão facilmente. Porém, me permitiu tentar, me deu a oportunidade que eu precisava e deu a você mesma a chance de amar.
Então, para minha grande surpresa, em contrário ao que eu percebia e ao que você transmitia, ao invés de “marrenta” você se mostra uma mulher bastante tolerante, um modelo para mim, um exemplo, alguém com quem quero aprender, porque a tolerância é, antes de tudo, uma difícil virtude.
Neste pouco tempo que falta para o nosso primeiro ano de descobertas e de troca de sentimentos, já conheço bem características suas. Sei que você adora ouvir Bech 98, fica tensa antes da prova (como eu), é organizada, é responsável, é mãe preocupada, é filha respeitosa, é ajudante em casa, é competente no trabalho, é namorada maravilhosa (que eu agradeço a Deus por me ofertar a convivência), é mulher que dá opinião, é pessoa que constrói (como você vem tentando construir junto comigo no Ana Viana). É isso tudo e muito mais.
Às vezes sou carente, e quando estou assim, te acho um tanto fria. Às vezes sou grosseiro, e quando estou assim, com certeza me sinto o homem mais idiota do mundo, cerca de algum tempo depois.
Às vezes caio no grave erro de querer te moldar ao meu jeito, perdoe-me, quero o seu bem e estou a milhas de distância de ser alguém perfeito.
Sabe qual é meu maior prazer? Meu maior prazer vem da alma e não da carne, meu maior prazer é te olhar direto nos olhos, ou então, te olhar sem você notar que está sendo observada, é ter vontade de te beijar debaixo de uma chuva gelada, é estar no meio da multidão no centro do Rio e querer te beijar na Praça XV, só enxergando você e mais nada. Meu maior prazer é dormir agarradinho contigo, sentindo a tua pele, vendo você fazer biquinho enquanto dorme, é te olhar me pedindo “bitoquinha”, é ter a sensação de que te protejo, enquanto você faz meu peito de travesseiro.
Quero estar contigo por toda minha vida, nessa vida, e quando chegar à hora de ir embora, eu não quero nem imaginar, porque só de pensar a dor já me aflora, vai ser como impossível para mim, seja se eu ficar por aqui ou seja se eu for quem vá. Ainda bem que a gente aprende que o prazer da alma não vai embora, ele apenas se distância, mas sempre se vigora. Aprende que tudo passa um dia, mas que nada do coração se acaba numa cova.
O amor não precisa de razão, o amor transcende a razão, nós é quem buscamos “razões para amar”, no nosso egoísmo escolhemos com orgulho quem merece ou não o nosso amor. Eu não sou exemplo de amor, não sou nada de perfeição moral, mas quem é? Só mesmo O Mestre.
Continuo na minha eterna admiração e contemplação a esse extraordinário sentimento, em todas as suas formas e em todos os seus níveis. Mas como ainda necessito de razões para amar, você apresenta “sem querer” os ingredientes a me cativar.
Amo-te, com as imperfeições do meu ser, mas com toda a sinceridade e a pureza da minha torta humanidade.
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Raphael V. Tavares


O mal é a ausência do bem, assim como a escuridão é a ausência da luz.
Desta lógica, um dia será inadequado usar a palavra “morte” para falar da situação dos que já se foram, pois que a morte é a ausência da vida, mas aqueles que partiram ainda vivem, numa vida paralela a nossa!