"Não sou este corpo que possui um espírito, mas sou o Espírito que fala por este corpo."

domingo, 8 de janeiro de 2012

Adeus ano velho

Adeus ano velho


  Tirava um cochilo depois do dia despendido na praia, ainda sonolento nos primórdios do despertar, fui surpreendido com bitocas estaladas no rosto, risinhos e sussurros que o torpor do sono não me deixou decifrar. Era ela, a princípio demorei a acreditar, talvez eu ainda estivesse sonhando, ela sorria e a sua pele corada dava um charme a mais ao rosto delicado.
  Apresentava um maravilhoso bom humor e logo depois deu levantar me presenteou com um sanduíche de queijo quente, que saboreei acompanhado de um café que minha mãe havia acabado de passar.
  De repente tudo voltou a fazer sentido e ela estava ali, tão perfeita!
  Até que, por infortúnio, algum assunto saltador surgiu entre nós, ela queria uma coisa eu queria outra, uma opinião contrária, uma pergunta mal formulada, uma ideia mal interpretada. O encanto então quebrou-se.
  O gelo voltou, o sorriso secou, poucas palavras trocadas até a noite cair de vez e ela decidir deitar-se, rígida, não deu sequer um "estalinho" de boa noite.
  Depois de algum tempo meus pais e tios também foram se deitar, após beberem algumas dúzias de latinhas, ouvirem várias considerações exageradas do meu pai e após várias tentativas de panos quentes por parte da minha mãe.
  Ouvi algumas pessoas dizendo que havia um show acontecendo na praia do centro da cidade. Minha mãe afirmava que se meu irmão estivesse aqui certamente ele estaria por lá. Eu estaria com ele? Talvez.
  Já era madrugada do último dia do ano, me vi na sala tendo como companhia um livro que terminava e o meu enteado que já roncava no colchonete esticado. Coloquei o menino pro quarto, bebi um copo d'água e fui dormir, não sem antes ficar cerca de meia hora pensando nos últimos acontecimentos do ano e nas coisas que quero realizadas no ano que está por vir. Mesmo a contragosto, reconheci que tenho muito mais a agradecer do que a pedir, o ano que passou foi muito bom e importante em todos os sentidos. Tenho a nítida sensação de que um dia ainda sentirei falta de tudo isso, como hoje sinto falta das coisas poucas e boas que não atravessaram o tempo até aqui.
  O verão já havia se acomodado e não fazia mais nenhuma cerimônia, dezembro se despedia, enquanto janeiro chegava com as promessas e projetos comuns. Alguma coisa que sempre acontece nessa época fazia com que o meu saudosismo aumentasse e eu lutava para manter os meus batimentos sem aquele tom melancólico. No quarto meu pai roncava, minha esposa suspirava, e eu chegava ao final desse curto balanço anual, concluindo então que o ano novo aproximava-se com lembranças e saudades que já vem se tornando velhas.
  Para o próximo ano não quero dinheiro, nem prosperidade, é claro eles serão muito bem vindos, mas o que quero mesmo é muita, muita serenidade. Feliz 2012!


Raphael V. Tavares


 




domingo, 1 de janeiro de 2012

Nesse Natal

São Gonçalo, 25 de dezembro de 2011.


Nesse Natal


Está é uma mensagem pessoal, não a copiei nem a encaminhei de lugar algum...

Nesse Natal não vou enviar fotos nem cartões para os meus familiares e amigos,
não que eu tenha algo contra isto, pelo contrário, já fiz em alguns anos e acho o gesto ótimo.

Mas é que nesse Natal não estou muito inclinado à mensagens automáticas e à protocolos frios.

Nesse Natal resolvi enviar uma mensagem sincera para aqueles que considero meus verdadeiros amigos, vocês.

Por isso, se vc está recebendo, pode se orgulhar (rs) eu prezo muito pela nossa amizade e vc é uma pessoa cara para mim.

Não quero ser demagogo nem quero levantar uma bandeira estéril de hipocrisia.

Aqui estamos no campo da sinceridade, da transparência, afinal, somos amigos.

Por isso prezados... com toda minha consideração e apreço... eu lhes desejo muita PAZ nesse Natal,
porque a Paz representa a harmonia dos sentimentos.

Desejo FELICIDADE para que possam vivenciar momentos maravilhosos,
mas desejo também CALMA e RESIGNAÇÃO porque os momentos ruins são inevitáveis e certamente virão, nós também crescemos muitíssimo com eles.

Desejo BOAS LEMBRANÇAS, pois às vezes nós ficamos semanas e meses sem nos ver, ou até sem nos falar, mas quando vejo uma situação ou uma pessoa na rua logo lembro de vcs, assim como também deve acontecer reciprocamente, e então, essa BOA LEMBRANÇA de vcs felicita por alguns minutos o meu dia que é quase sempre agitado e estressante... isso eu devo a vcs.

Desejo COMPREENSÃO e TOLERÂNCIA, afinal ser amigo é saber conviver com os defeitos e imperfeições, se vcs conseguiram me tolerar até aqui conhecendo o meu lado dark, isso é um sinal que fortalece a nossa amizade (rs).

Desejo AMOR, porque cedo ou tarde descobriremos que esse é o maior de todos os sentimentos da Terra, e de além dela.

Desejo FORÇA, para vida, para o dia-dia, para os dias de sol e para as noites de chuva.

Que a nossa amizade nunca seja contaminada por melindres estúpidos ou crises de infantilidade,
e se for, que tenhamos a HUMILDADE suficiente para passar sobre isso.

Desejo que o RESPEITO, a CUMPLICIDADE e o CARINHO continuem sendo valores nossos, e que a nossa amizade continue caminhando sob tais valores.

Independentemente da sua religião, ou da sua ausência de religião, lembrem-se amigos do que o Natal representa.

Não obstante o distanciamento e os problemas que existem até mesmo dentro de nossas famílias,
tentem se lembrar daquela chama, daquele sentimento que talvez vcs tenham experimentado na infância, que alguns chamam de ESPÍRITO DE NATAL.

Esse espírito de Natal é Jesus... mas podem chamá-lo como quiser.

Mesmo que aquela árvore enfeitada no canto da sala já não signifique mais nada para vcs,
mesmo que já não faça a menor diferença as lâmpadas de Natal estarem acesas ou apagadas...

Mesmo assim, deixem por um dia, ou que seja por um minuto, a ternura daquela criança que já fomos brilhar novamente dentro de nós.

E se vcs tiveram a PACIÊNCIA de ler esse texto até aqui, que ela, a PACIÊNCIA, seja nossa aliada em 2012 e sempre...

Com carinho,

Feliz Natal Amigos!


O mal é a ausência do bem, assim como a escuridão é a ausência da luz.
Desta lógica, um dia será inadequado usar a palavra “morte” para falar da situação dos que já se foram, pois que a morte é a ausência da vida, mas aqueles que partiram ainda vivem, numa vida paralela a nossa!